domingo, 30 de setembro de 2012

A arca de Jesus

Deus é o grande Criador e Mantenedor da vida. Ele nos criou e nos mantém dia após dia. Sendo assim, é impossível o homem ser realmente bom vivendo independente de Deus. Toda vida distante de Deus traz consequências terríveis e não foi diferente nos tempos de Noé. A Bíblia afirma que "viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente" (Gn 6:5). O mal tinha dominado de tal maneira as ações dos seres humanos que as Escrituras afirmam que "arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra, e isso lhe pesou no coração". É importante notar que o arrependimento aqui citado não é a mudança de opinião ou pensamento, mas a mudança de sentimento. Deus ficou extremamente triste pela condição degradante alcançada pelo ser humano. Contudo, mesmo em meio ao caos moral, um homem chamado Noé andava nos caminhos de Deus. "Então disse Deus a Noé: O fim de todos seres humanos é chegado perante mim, pois a terra está cheia da violência dos homens. Destruí-los-ei juntamente com a terra. Faze para ti uma arca de madeira de cipreste: farás compartimentos na arca, e a revestirás de betume por dentro e por fora" (Gn 6:13 e 14). Durante 120 anos Noé esteve construindo a arca e pregando sobre a iminente destruição que sobreviria à humanidade. A intenção de Deus era que Seus filhos se arrependessem e entrassem na arca, mas a história nos conta que apenas Noé e sua família atenderam o chamado de Deus. A Bíblia da ênfase na chuva que caiu sobre a Terra. Mas, teria sido a chuva o único evento ocorrido durante o dilúvio? Os Fenômenos Geológicos Globais (FGG) nos informam que uma grande catástrofe, abrangendo muito mais que a chuva, ocorreu por ocasião do dilúvio. Pelo menos seis FGGs podem ser identificados: Grandes províncias ígneas, fragmentação do Pangea (antigo supercontinente), impactos de gigantescos meteoritos, extinção em massa, ação devastadora de megatsunamis e extensas e espessas deposições sedimentares. Imagine a cena: A Terra sendo bombardeada por meteoritos gigantes que, além da água, causam grandes terremotos, tsunamis gigantescos, vulcões expelindo grande quantidade de magma e gases. Que cena terrível! Será que um barco de madeira, por mais engenhoso que possa ser, seria capaz de resistir a tal desastre? Com certeza não. Entretanto, a descrição bíblica nos informa que Noé e sua família permaneceram seguros e intactos. Jesus estava protegendo a arca. Jesus cuida daquilo que é seu, e apesar de Noé ter construído a arca, aquele grande barco pertencia a Jesus. Aquela era a arca de Jesus, e Jesus cuida do que é seu. Cristo poderia ter retirado Noé e sua família da Terra antes da destruição. Mas, ao invés de tirar Seus fiéis filhos da tempestade, Ele preferiu estar com eles e prover segurança aos seus. Nunca se esqueça que Deus cuida do que é dEle. Você é filho de Deus e Ele estará sempre cuidando de você. Ainda que você esteja passando por uma tempestade sem igual em sua vida, lembre-se: Jesus cuidará de você. Não existe tempestade tão violenta que impeça Jesus de cobrir Seus filhos com Sua proteção amorosa e redentiva. Em breve Ele voltará para nos levar ao Céu. Ele sempre cuidará de você!

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Você que se sente pequeno

O hino número 500 do Hinário Adventista do Sétimo Dia é intitulado "Deus Sabe, Deus Ouve, Deus Vê". O apóstolo Paulo nos lembra que devemos orar sem cessar (1Ts 5:17) e uma das formas de praticarmos este conselho inspirado é termos sempre um cântico no coração. Este hino é dirigido a todas as pessoas que se sentem pequenas diante dos desafios e provas da vida. Ninguém está isento de problemas nesta vida e o Professor Valdecir S. Lima, autor da letra deste hino, escreveu palavras tão belas em meio a circunstâncias terríveis de sua vida. Assim o Prof. Valdecir descreve a situação que enfrentou: "Estudei fora do Brasil por quatro anos. Quando me formei, queria ficar no exterior um pouco mais, mas meu pai insistiu que eu voltasse logo. Naquele tempo a comunicação não era simples como hoje, portanto não nos falávamos com frequência e as saudades eram muitas. Assim, obedeci. Fiz todos os preparativos, e após haver terminado de pagar o restante de meu débito com a escola, voltei alegre e feliz. Lembro-me bem: a família toda me aguardava no aeroporto. Felicidade à vista. Pois bem, ainda nos primeiros dias, em meio a esse clima de reencontro, após um almoço em família, meu pai sofreu um ataque fulminante do coração e faleceu. Perdi o chão sob os pés. Eu não acreditava no que estava acontecendo. Que ironia! Depois de quatro anos longe, não tivemos mais que uma semana juntos. Nesse instante, em meio à dor dessa perda irreparável, percebi que o cristão sofre, mas não se desespera. Mesmo no meio desse turbilhão, vivi uma paz e um amparo espiritual indescritíveis. Senti Deus bem perto de mim. 'Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia' - Salmo 46:1. Poucos dias depois, sentado à escrivaninha de meu pai, cujo nome era Syntyche Ferreira Lima, escrevi a letra do hino 'Deus Sabe Deus ouve, Deus vê', como um tributo a Deus, que promete estar presente na vida dos que sofrem.  Este hino é dirigido a todas as pessoas que, como eu, sentem-se pequenas, mas que, através da confiança nas promessas de Deus, têm a chance de se tornarem gigantes na fé e no serviço, e de entregarem sua vida inteiramente aos Seus cuidados." (Posso Crer no Amanhã, Tercio Sarli, págs. 349 e 350). Nunca se esqueça, o seu Deus é um Deus que tudo pode. Ele nunca vai te desamparar. Em breve viveremos em um lar onde não mais existirá a morte, onde não mais existirá o sofrimento. Sempre dirija seus olhos a Deus.

Você que se sente pequeno,
Dirija seus olhos a Deus;
Não deixe que sombras o envolvam,
Entregue sua vida a Deus.

Deus sabe o que vai dentro d'alma,
Deus ouve a oração suplicante,
Deus vê sua angústia e o acalma,
Deus faz de você um gigante.
Deus sabe o que vai dentro d'alma,
Deus ouve a oração suplicante,
Deus vê sua angústia e o acalma;
Deus sabe, Deus ouve, Deus vê.

Se a vida levou os castelos,
Que em sonhos você construiu,
Não dê por vencidos seus planos,
Entregue seus planos a Deus. (Valdecir Simões Lima)

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

"Pedi, e dar-se-vos á" - Por que peço e não recebo?

"Pedi, e dar-se-vos á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos á. Pois aquele que pede, recebe; o que busca, encontra; e ao que bate, se abre" (Mt 7:7 e 8). O que você acha dessa promessa de Jesus? Você acha uma boa promessa? Por que essa promessa não se cumpre em sua vida? Jesus está garantindo que se você pedir, você vai receber; se você buscar, você vai encontrar. Mas, por que você tem pedidos que ainda não foram atendidos? Por que você busca boas coisas e ainda não encontrou? À luz desta promessa, deveríamos alcançar o que buscamos. Ou não? Muitas pessoas se apoiam nesta promessa para perseverarem em suas orações e pensam que, em algum momento, Jesus as responderá. Outros desanimam ao perceberem que a promessa de Jesus não se cumpre em sua vida. Quando oramos e não recebemos uma resposta e nos deparamos com esse texto, começamos a racionalizar o porquê de não recebermos o que estamos pedindo. Alguns dizem: "Ainda não é a hora, Deus sabe a hora certa". Outros afirmam: "Não estou pedindo de acordo com a vontade de Deus". Apesar de todas as respostas prontas que encontramos, muitos pensam não receberem o que pedem por não serem dignas, porque Deus conhece seus pecados escondidos ou porque Deus não ouve sua oração. Aqueles que nutrem estes pensamentos, aos poucos desanimam, cansam de orar. Começam a olhar ao redor e veem  pessoas alcançando bênçãos de Deus e concluem que Deus realmente não está ao seu lado. Contudo, o que Jesus estava querendo dizer com esta promessa? Ela é real? É importante entendermos que estas palavras foram pronunciadas em um contexto específico. Jesus ainda estava pregando o "Sermão da Montanha". Jesus não estava andando, calado e simplesmente se dirigiu aos discípulos e pronunciou estas palavras. Estas palavras fazem parte de um sermão. E sobre o que Jesus estava falando? Se você acompanhar na sua Bíblia, vai perceber que este sermão começa no capítulo cinco de Mateus e vai até o final do capítulo sete. Neste sermão, Jesus apresenta o ideal divino para todos nós. Após citar as "bem-aventuranças", Jesus fala sobre a importância do testemunho pessoal, da validade da lei, da pureza que Deus espera de todos os cristãos em seus relacionamentos e citou questões como assassinato, adultério, divórcio, juramentos e amor aos inimigos. Nosso Mestre falou sobre a importância da oração, sobre o reino dos céus, sobre a ansiedade, sobre os julgamentos humanos e só então pronuncia esta promessa. Tudo o que Jesus estava dizendo é elevado demais para todos os seres humanos. O padrão divino está muito mais além do que imaginamos. Então, percebendo isto, é como se Jesus fizesse uma pausa em Seu sermão e pronunciasse as palavras: "Pedi, e dar-se-vos á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos á. Pois aquele que pede, recebe; o que busca, encontra; e ao que bate, se abre". Jesus estava garantindo que todas as vezes que pedíssemos a Deus para vivermos de acordo com este padrão, receberíamos forças. Todas as vezes que buscássemos andar nos caminhos que Deus deixou para nós, encontraríamos um guia em nossa caminhada. Esta promessa é específica e válida. Nunca pense que Jesus não ouve sua oração. É comum ouvirmos a expressão: "Minha oração não passou do teto". Lembre-se que nenhuma oração precisa passar do teto porque Jesus sempre estará ao seu lado. Deus sempre atenderá prontamente uma oração pedindo forças para viver o cristianismo verdadeiro. Todos os outros pedidos, todas as outras necessidades que temos, Deus as atenderá à luz da nossa salvação. Se você realmente deseja estar no Céu, todos os seus pedidos serão respondidos de acordo com esse propósito. Tudo o que contribuir para nossa salvação, Deus nos dará. Tudo o que impedir nossa salvação, Deus não nos dará. "Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (Rm 8:28). Ainda que você tenha orações aparentemente não respondidas, saiba que Deus as conhece todas e está fazendo tudo da melhor maneira para que muito em breve você esteja no Céu. Nunca desanime, busque sempre forças em Deus porque a promessa é certa, atual e verdadeira: "Pedi, e dar-se-vos á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos á. Pois aquele que pede, recebe; o que busca, encontra; e ao que bate, se abre".

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Todas as promessas de Deus se cumprirão?

Será que todas as promessas de Deus se cumprem? Em 2 Reis 22:20 encontramos uma promessa de Deus ao rei Josias: "Pelo que, eis que eu te reunirei a teus pais, e tu serás recolhido em paz à tua sepultura, e os teus olhos não verão todo o mal que hei de trazer sobre este lugar. Então, levaram eles ao rei esta resposta". Na época do rei Josias as guerras eram comuns. Comum também era a morte de reis nestas guerras. Deixando de lado os detalhes desta promessa, o fato de Deus ter garantido a Josias que ele seria "recolhido em paz à tua sepultura", era uma promessa muito significativa, pois morrer em paz em tempos de guerra tem muito valor. Como foi a morte de Josias? "Os flecheiros atiraram contra o rei Josias; então, o rei disse a seus servos: Tirai-me daqui, porque estou gravemente ferido. Seus servos o tiraram do carro, levaram-no para o segundo carro que tinha e o transportaram a Jerusalém; ele morreu, e o sepultaram nos sepulcros de seus pais. Todo o Judá e Jerusalém prantearam Josias" (2Cr 35:23 e 24). O rei Josias morreu em batalha! Talvez existam muitos modos de uma pessoa morrer em paz, mas com certeza nenhum deles inclui uma morte em guerra. Quando Deus prometeu a Josias que ele morreria em paz, não estava simplesmente falando de seu estado de espírito ou lhe assegurando a salvação. Deus estava falando sobre as circunstâncias e o modo como Josias deveria morrer e isto não se cumpriu. Mas, como pode uma promessa de Deus não se cumprir? Precisamos compreender um ponto muito importante. Existem promessas de Deus que são condicionais. Para que tais promessas se cumpram é preciso de uma resposta humana. Este é o caso da promessa feita ao rei Josias. Pouco antes de Josias ir para a batalha que lhe causaria a morte, Deus o avisou para não continuar com o seu propósito (2Cr 35:20-22). No momento que Deus orientou Josias a não entrar na batalha, a promessa de morrer em paz estava condicionada a obediência de Josias, mas o rei desobedeceu. O exemplo de Nínive deixa este conceito mais claro. Deus enviou uma mensagem de destruição a Nínive por intermédio de Jonas. A promessa era que em 40 dias Nínive seria destruída (Jn 3:4). Porém, ao final dos 40 dias a cidade não foi destruída. Por que Deus não cumpriu sua promessa? Porque a promessa era condicional. O povo de Nínive se arrependeu e Deus não a destruiu naquele momento. Existem promessas que são condicionais e, ao mesmo tempo, incondicionais. Este é o caso da promessa do derramamento do poder do Espírito Santo em Atos 1:8. Esta promessa é incondicional - o poder do Espírito Santo tem sido derramado e será ainda mais em profusão em um tempo específico da história. Porém, se tomada individualmente ela se torna condicional - algumas pessoas receberão este poder e outras não. Agora, existem promessas que são totalmente incondicionais. Tais promessas não dependem de nada, não há nada que as impeçam de serem cumpridas. O exemplo mais claro é a promessa da volta de Jesus. Meu querido amigo(a): Jesus muito em breve irá voltar e esta promessa não está vinculada a nenhuma obra humana. Muito em breve Jesus voltará. Esta promessa é tão real e fiel como o é o próprio Deus. Muito em breve Jesus voltará e levará ao Céu todos aqueles que desejarem morar neste lar maravilhoso. Você deseja estar no Céu? Acredite, a nossa redenção está muito mais perto do que imaginamos!


terça-feira, 25 de setembro de 2012

Por que Deus não resolve meus problemas?


Você já pediu a Deus que o ajudasse a resolver algum problema e ainda não obteve uma resposta? Por que os problemas existem na vida dos filhos de Deus? Por que Deus não interfere em favor de Seus filhos e soluciona seus problemas? A carta que Tiago escreveu trata de muitos assuntos práticos da vida do cristão e este é um deles. Nos primeiros versos encontramos o assunto das provações na vida dos filhos de Deus. Se você tiver uma Bíblia por perto, leia o capítulo 1, dos versos 2 ao 15, e acompanhe o que Tiago gostaria de nos dizer sobre a realidade dos problemas na vida dos filhos de Deus. Gostaria de destacar alguns pontos: (1) Deus não tenta os Seus filhos (v.13) - Esta expressão vem do grego peira,zw (peirázo), que significa "provar", "pôr a prova", e aqui se usa no sentido de induzir ao mau (ver vv 2-3). Tiago declara que os sofrimentos, as provas e dificuldades que cada cristão enfrenta nunca devem ser entendidas como obras diretas de Deus. Deus nunca permite a provação na vida de Seus filhos com o propósito de induzi-los ao pecado. Deus permite que sobrevenham provas aos seres humanos, mas nunca com o propósito de que alguém se renda ante elas. O propósito de Deus é semelhante ao do refinador que joga o mineral no crisol com a esperança de obter um metal puro, não com a intenção de amontoar escória. No entanto, Satanás tenta com a intenção de causar a derrota e nunca de fortalecer o caráter de um homem (cf. Mt 4:1). Existia nos tempos de Tiago um mito grego que dizia que os homens eram tentados pelos deuses. Encontramos também essa ideia na Bíblia, quando vemos a experiência de Adão e Eva; (2) Cada um é tentado pela sua própria cobiça (vv.14 e 15) - A origem de toda tentação é a "sede" do homem pelo que é mau. Cada pessoa tem seus próprios anseios, que surgem de seu temperamento e suas experiências; mas o fato de que existam estas más concupiscências internas, não nega a existência e a atividade de um tentador exterior que procura aproveitar-se de nossas más tendências (Jo 14:30; Mt 4:1-3). Satanás e suas hostes maléficas são os verdadeiros instigadores da tentação (Ef 6:12; 1Ts 3:5). Eles podem tentar o homem a pecar, mas suas tentações não teriam força alguma se não tivesse dentro do homem um desejo de responder a essa atração. "Nenhum homem pode ser obrigado a pecar. Primeiramente deve ser ganho seu próprio consentimento; a alma deve propor-se ao ato pecaminoso antes que a paixão possa dominar à razão ou a iniquidade triunfar sobre a consciência" (MJ 65). "O vício é um monstro de semblante tão horrível, que só precisa ser visto para ser odiado. Mas se você o vê muito com frequência e seu rosto se torna familiar, primeiro o toleramos, depois nos compadecemos dele, depois o abraçamos". – Alejandro Pope, Essay on Man (Ensaio sobre o homem), Epístola II, linha 217; (3) O aperfeiçoamento da vida cristã (vv.2-4) - Ainda que as provações não sejam enviadas diretamente por Deus, Ele as permite, mas tem um objetivo com tal permissão. Deus permite a provação na vida do cristão para que ele seja aperfeiçoado. O objetivo de Deus é que Seus filhos alcancem a maturidade em sua vida cristã. Tudo o que precisamos é uma compreensão correta da situação em que nos encontramos e esta vem somente do Senhor. Tiago conclui a frase dizendo que as provações nos tornam maduros e completos e assim não teremos falta de nada; isto é, nunca perderemos a nossa fé no Senhor e ao final receberemos a Sua recompensa. Ao final, encontramos talvez a mais bela de todas as promessas: "Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam" (Tg 1:12). Nada em sua vida existe por acaso. Deus está no controle de tudo. Ainda que você passe por grandes problemas, siga firme, confiante em Jesus. Muito em breve, Jesus voltará. Ele tem uma coroa para você. Esta coroa é sua, ela foi feita sob medida para você. Deus tem um propósito com tudo o que Ele permite em sua vida. Confie. Em breve estaremos em um lar onde não mais existirão problemas, provações, tentações. Muito em breve estaremos no Céu!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Os perseguidos

"Felizes as pessoas que sofrem perseguições por fazerem a vontade de Deus, pois o Reino do Céu é delas. Felizes são vocês quando os insultam, perseguem e dizem todo tipo de calúnia contra vocês por serem meus seguidores. Fiquem alegres e felizes, pois uma grande recompensa está guardada no céu para vocês. Porque foi assim mesmo que perseguiram os profetas que viveram antes de vocês" (Mt 5:10-12 NTLH). Em primeiro lugar, a perseguição aqui mencionada por Jesus refere-se ao processo de abandonar o mundo e voltar-se a Deus. Antes de falarmos especificamente sobre a perseguição é importante entendermos o significado do jargão "abandonar o mundo". Pelo mau uso desta expressão, muitas pessoas sentem uma repulsa natural por igrejas. Tais pessoas pensam que ao aceitarem a Jesus, elas devem abandonar tudo o que o mundo pode oferecer, devem viver alienados de tudo e de todos, mas isto não é verdade. "Não peço que os tire do mundo, mas que os livre do mal" (Jo 17:15). Existem coisas boas que o mundo nos oferece e Deus não deseja nos privar delas. Abandonar o mundo significa que agora você buscará a orientação de Jesus para definir o que é bom e o que é ruim. Antes, eu mesmo decidia o que era bom ou ruim para mim. Mas, no momento que aceitei a Jesus, permiti que Ele me mostrasse o que era realmente bom ou realmente ruim. Agora, nunca se esqueça que Jesus sempre quer o melhor para nós, sempre! Voltando à questão da perseguição, infelizmente este processo de voltar-se a Deus não é tão simples, especialmente para pessoas que não nasceram em um lar voltado à religião. Muitas vezes, os amigos, companheiros de trabalho e outros se encarregam de tornar este processo muito difícil. Você já conheceu alguém que foi elogiado por seus amigos ao entregarem sua vida para Jesus? A menos que tais amigos também tenham passado por essa experiência, o que mais ouvimos são palavras desanimadoras e sarcásticas. O apóstolo Paulo e Barnabé, cientes desta realidade "animavam os cristãos e lhes davam coragem para ficarem firmes na fé. E também ensinavam que era preciso passar por muitos sofrimentos para poder entrar no Reino de Deus" (At 14:22). Vivemos em um grande conflito entre o bem e o mal, e, no momento que aceitamos a Jesus, estamos nos posicionando neste conflito. "O dragão ficou furioso com a mulher e foi combater contra o resto dos descendentes dela, isto é, aqueles que obedecem aos mandamentos de Deus e são fiéis à verdade revelada por Jesus" (Ap 12:17). As perseguições que sofremos por aceitarmos a vontade de Deus em nossa vida são decorrentes da ira do inimigo de Deus, por isso Jesus disse para nos alegrarmos. As perseguições podem vir, mas a Bíblia nos dá a segurança que "Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações" (Sl 46:1). A primeira promessa, a promessa feita aos pobres de espírito é repetida: "Delas é o reino dos céus". Jesus começa as "bem-aventuranças" do Sermão da Montanha prometendo o reino dos céus e termina as "bem-aventuranças" do Sermão da Montanha prometendo o reino dos céus. Por mais que este mundo possa ser atraente para alguns, não existe nada superior ao reino dos céus. Jesus não quer que nada o separe deste reino. Com estas "bem-aventuranças" Jesus deixou claro que os que desejam estar no Céu encontrarão todo auxílio que Deus pode oferecer. Contudo, fica uma pergunta: "Quem pode nos separar do amor de Cristo? Serão os sofrimentos, as dificuldades, a perseguição, a fome, a pobreza, o perigo ou a morte?" (Rm 8:35). Que nada o separe de Jesus. Que cada passo que você der neste mundo, seja um passo rumo ao Céu!

domingo, 23 de setembro de 2012

Os pacificadores

"Bem-aventurado os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus" (Mt 5:9). Jesus tem demonstrado as riquezas do reino espiritual e a paz aqui relatada refere-se a paz com Deus. Nosso Criador anela alcançar a paz conosco. Ele almeja que andemos em comunhão com Ele e não que pensemos ser Ele nosso inimigo. Não se esqueça que existe uma sequência nas "bem-aventuranças" e, depois de demonstrar como Deus pode erguer o pobre de espírito até elevá-lo a condição de puro de coração, é Seu desejo que proclamemos isso ao mundo e mostremos a todos que Deus é nosso amigo e não nosso inimigo. Você já culpou a Deus pelos problemas de sua vida? Muitas pessoas se esforçam para servirem a Deus meticulosamente e, assim, esperam que nenhum mal lhes sobrevenha. Porém, lembre-se sempre que "todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (Rm 8:28) e, por incrível que pareça, Deus permite os problemas em nossa vida com o fim de crescermos e amadurecermos em nossa fé. Deus tem uma habilidade maravilhosa de transformar o mal em bem (Gn 50:20) e Ele sempre transforma os problemas na vida de Seus filhos em um bem que muitas vezes não conseguimos apreciar (Tg 1:2-4). É natural que coloquemos a culpa de nossos problemas em Deus pois o apóstolo Paulo já nos alertou que "as pessoas que têm a mente controlada pela natureza humana se tornam inimigas de Deus" (Rm 8:7 NTLH). Porém, os filhos de Deus se colocam a disposição de seu Mestre, para serem guiados pelo Espírito Santo, e o Consolador muda nossa inimizade natural e nos transforma amigos de Deus. Depois de transformados amigos de Deus, Ele esperava que nos tornemos pacificadores e levemos ao mundo a mensagem de amor de Deus e mostremos a todos que Deus não é nosso inimigo, mas nosso melhor amigo. Podemos aprender de Jesus como ser um pacificador porque o nosso Redentor é o "Príncipe da paz" (Is 9:6-7), Ele é quem intercede por nós e faz com que tenhamos paz com Deus (Rm 5:1) e Ele nos deixou a Sua paz (Jo 14:27). Nos momentos difíceis da sua vida, nunca esqueça que Deus é seu melhor amigo. Quando todos te abandonarem, quando o auxílio do mundo falhar, quando os seres humanos te desapontarem, lembre-se que seu melhor amigo sempre estará ao seu lado. Ele sempre lutará por você. Ao sentir essa paz, Deus te convida a ser um pacificador entre Ele e os homens. Deus te convida a ser um mensageiro da esperança e levar ao mundo a mensagem de que Deus não é inimigo, mas é o mais excelente amigo. Não existe privilégio maior do que ser chamado filho de Deus, e é assim que os pacificadores serão chamados. Mostre ao mundo quem é o seu Pai. Mostre ao mundo que o caminho para o Céu está aberto, pois nosso melhor Amigo é quem abriu esse caminho e nos convida a andar por ele. Que a cada dia sejamos um instrumento poderoso de amor e esperança nas mãos do nosso Criador. Que você tenha uma ótima semana na companhia do nosso amado Jesus!

sábado, 22 de setembro de 2012

Os puros de coração

"Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus" (Mt 5:8). Você se considera uma pessoa de coração puro? O que tem manchado seu coração? Aqui, coração se refere ao intelecto (Mt 13:15), a consciência (1Jo 3:20), ao caráter (1Pe 3:4). Ser puro de coração vai muito mais além do que prega a sabedoria popular. É comum ouvirmos: "Eu não mato, não roubo, não faço mal para ninguém" e, se de fato é assim, logo tal pessoa conclui que é perfeita. Ser limpo de coração inclui tudo o que de bom pode habitar em um coração humano e exclui tudo de ruim que pode existir. Como está o seu coração? O que tem habitado em seu coração? É necessário muito mais do que esforço humano para alcançar a pureza de coração. Mais do que tudo, necessitamos da justiça de Cristo. Precisamos ser revestidos do manto da justiça de Cristo (Mt 22:11-12). Os puros de coração não se deleitam ou se entregam aquilo que sabem que é errado. Os puros de coração não se deleitam ou se entregam ao pecado. Isto não quer dizer que os puros de coração não sejam pecadores. Eles são pecadores e cometem pecados, mas não se agradam disto e lutam para viverem a cada dia de acordo com a vontade de Deus. Eles não se entregam, eles lutam e lutam até quando tiverem que lutar. "O pecado não dominará vocês, pois vocês não são mais controlados pela lei, mas pela graça de Deus. O que é que isso quer dizer? Vamos continuar pecando porque não somos mais controlados pela lei, mas pela graça de Deus? É claro que não! Pois vocês sabem muito bem que, quando se entregam a alguma pessoa para serem escravos dela, são, de fato, escravos dessa pessoa a quem vocês obedecem. Assim sendo, vocês podem obedecer ao pecado, que produz a morte, ou podem obedecer a Deus e ser aceitos por ele" (Rm 6:14-16). Nossa primeira luta, todos os dias, não deve ser contra nossas tendências pecaminosas, mas antes deve ser para estarmos aos pés do Salvador. Quantas vezes passamos o dia todo sem tempo para Deus, sem tempo para orar ou estudar a Bíblia. No fim desses dias nos sentimos tristes por não conseguirmos agir da maneira como Deus esperava. Se buscarmos a Deus em primeiro lugar, Ele nos dará forças e será mais fácil enfrentarmos os problemas do dia-a-dia (Mt 6:33). Os puros de coração não são "perfeitos", não estão isento de pecados, mas os puros de coração se entregam constantemente a Deus para serem revestidos da justiça de Cristo e buscam andar em novidade de vida com o poder que Ele concede (Fp 3:13-15). Busque a Deus constantemente em sua vida e Ele purificará o seu coração. Os puros de coração verão a Deus, não apenas no Céu, mas, pelos olhos da fé, poderão contemplar o seu Salvador agora. Entregue seu coração a Jesus e permita que Ele o guie ao Céu!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Os misericordiosos


"Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia" (Mt 5:7). A misericórdia aqui descrita por Cristo passa a ter valor quando é praticada. Paulo descreveu Jesus com esta mesma qualidade: "Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo" (Hb 2:17). Na descrição de Paulo, Jesus foi chamado "misericordioso e fiel sumo sacerdote" porque decidiu ser semelhante ao ser humano. Jesus agiu. A misericórdia não pode ser apenas um sentimento, mas tem que resultar em obras a favor do ser humano. Em Mateus 25 temos uma cena do juízo final. À direita de Cristo aqueles que herdarão o reino dos céus e à esquerda aqueles que deixarão de existir eternamente. Qual a diferença entre as duas classes? Jesus diz: "Pois eu estava com fome, e vocês me deram comida; estava com sede, e me deram água. Era estrangeiro, e me receberam na sua casa. Estava sem roupa, e me vestiram; estava doente, e cuidaram de mim. Estava na cadeia, e foram me visitar" (Mt 25:35-36). Esta passagem não sugere que a salvação seja alcançada pelas obras. A salvação vem unicamente pela graça de Cristo (Ef 2:8). Contudo, esta passagem sugere que aqueles que aceitaram a salvação e permitiram ser moldados por Cristo produzirão obras naturais em favor do ser humano. Obras de um coração cheio de gratidão. Tais pessoas fazem o bem aos outros como se estivessem fazendo para o próprio Jesus. "Quando vocês fizeram isso ao mais humilde dos meus irmãos, foi a mim que fizeram". Tais obras não são realizadas com a intenção de alcançar a salvação, mas com a intenção de estender o amor de Jesus aos tristes e enlutados desta vida. Existe uma sequencia nas "bem-aventuranças". Primeiro, Jesus se dirige aos pobres de espírito, aqueles que desejam a salvação, mas entendem que não a alcançarão sozinhos, e para esses Jesus assegura a entrada no reino dos céus. Em segundo lugar Jesus se reporta aos que choram, e este choro é uma referência ao pobre de espírito tentando alcançar a salvação, e Jesus assegura que tais pessoas serão consoladas. Seguindo, Jesus se volta aos mansos, aqueles que aceitam a vontade de Deus em sua vida e diz que tais pessoas herdarão a terra. O pobre de espírito, que chora por não atender aos reclamos divinos, mas que aceita a vontade de Deus em sua vida, anela por justificação, salvação e Jesus diz que estes serão fartos. Jesus ergue o pobre de espírito e o eleva a condição de justo e o resultado de tão grande amor deve ser a misericórdia. Jesus nos ergue com Sua poderosa mão e devemos, em retribuição amorosa, permitir que nossas mãos sejam extensões desta poderosa e amorosa mão que sempre nos sustenta. Jesus diz aos que agem com misericórdia: "Alcançarão misericórdia". Neste dia tão glorioso, quando Cristo retornar nas nuvens do céus, que você seja encontrado praticando a misericórdia. Deus deseja usar todos nós para que pessoas sejam encorajadas a viverem neste Céu tão maravilhoso que Deus tem preparado para Seus filhos. Dê sua mão às pessoas que estão sofrendo ao seu redor e, juntamente com Cristo, levem-nos ao Céu!

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Fome e sede de justiça

Os ouvintes de Jesus estavam familiarizados com a expressão empregada por Ele para descrever a quarta "bem-aventurança". "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos" (Mt 5:6). Sede não era algo anormal, visto que as chuvas se concentravam apenas em dois meses. "As chuvas estão longe de ser satisfatórias... 16.3 polegadas por ano, e mais de 23 nas montanhas da Galileia; mas quase toda esta chuva cai em poucos dias, quase todos eles em outubro e março, naqueles aguaceiros violentos de que fala o evangelho de Mateus, tempestades que enchem os ribeiros em poucos minutos e que carregam casas se seus alicerces não forem suficientemente fortes. Em suma, são chuvas que não fazem todo bem que seria de se esperar" (A vida diária nos tempos de Jesus, Henri Daniel-Rops, 24). Porém, a fome e a sede aqui descritas por Jesus não eram de elementos físicos, mas sim de elementos espirituais. Eram fome e sede de justiça. Esta justiça descrita é aquela pronunciada por Deus sobre o pecador condenado. É a justiça que garante a salvação do perdido. "Justiça é santidade, semelhança com Deus; e 'Deus é amor'. 1 João 4:16. É conformidade com a lei de Deus; pois 'todos os Teus mandamentos são justiça' (Sal. 119:172); e o 'cumprimento da lei é o amor'. Rom. 13:10. Justiça é amor, e o amor é a luz e a vida de Deus. A justiça de Deus se acha concretizada em Cristo. Recebemos a justiça recebendo-O. Não é por meio de penosas lutas ou fatigante lida, nem de dádivas ou sacrifícios, que alcançamos a justiça; ela é, porém, gratuitamente dada a toda pessoa que dela tem fome e sede. 'Ó vós todos os que tendes sede, vinde às águas, e vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; ... sem dinheiro e sem preço.' Isa. 55:1. 'Sua justiça... vem de Mim, diz o Senhor' (Isa. 54:17), e 'este será o seu nome com que O nomearão: O SENHOR, JUSTIÇA NOSSA.' Jer. 23:6. Nenhum agente humano pode suprir aquilo que satisfará a fome e a sede da alma. Mas Jesus diz: 'Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo.' Apoc. 3:20. 'Eu sou o pão da vida; aquele que vem a Mim não terá fome; e quem crê em Mim nunca terá sede.' João 6:35." (MDC, 18). Quantas vezes olho para mim e percebo que não consigo viver de acordo com a vontade de Deus. Eu luto, mas concluo que sempre estarei aquém do Modelo. Muitas vezes sou traído pelo meu próprio temperamento e, quando percebo, já estou fazendo algo que eu não gostaria de fazer. Outras vezes, erro conscientemente. Sei que devo andar por outro caminho, sei o que devo evitar, mas não evito. Se tudo parasse por aqui, a conclusão mais sensata seria afirmar que a vida não tem nenhum sentido. Porém, Jesus disse aos que têm fome e sede de justiça, fome e sede de serem perdoados, justificados por Deus: "Serão saciados". Jesus não nega sua justiça a um filho que reconhece que não é capaz de vencer sozinho. Sua morte na cruz abriu o caminho para nossa salvação e hoje Ele intercede por mim e por você nos concedendo perdão, vida, salvação. Se você tem o desejo de viver ao lado de Deus, se você tem o desejo de ser melhor a cada dia, se você tem o desejo de morar no Céu, nunca se esqueça que Jesus disse que "os que têm fome e sede de justiça, serão fartos."

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Os mansos

Ao descrever a terceira "bem-aventurança" Jesus diz: "Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra." (Mt 5:5). Jesus nunca nos pede algo que Ele mesmo não conheça por experiência. Em Mateus 11:29 o próprio Jesus descreve a si mesmo como "manso e humilde de coração". Além disso Jesus diz que podemos ir até Ele todas as vezes que nos sentirmos "cansados e sobrecarregados" e trocarmos o nosso jugo pelo dEle porque Ele é "manso e humilde de coração". Esta mesma palavra, em seu equivalente hebraico, é utilizada para descrever Moisés em Nm 12:3. Claramente percebemos que Moisés era um homem sujeito aos problemas desta vida como todos. Percebemos na vida de Moisés momentos de tristeza, desânimo, dúvida e temor. Porém, Moisés é descrito como "manso" porque ele sempre recorria a Deus. Deus era o seu refúgio e fortaleza. A mansidão é uma atitude e não um sentimento. Devemos escolher ser mansos. Como vimos alguns dias atrás, Deus não quer apenas nos libertar da culpa do pecado, mas também quer nos libertar do poder do pecado e uma atitude de mansidão contribuirá para que andemos em novidade de vida e livres de tal poder que destrói a felicidade humana. A mansidão é preciosa diante de Deus (1Pe 3:4). Vivemos em uma época onde os valores estão invertidos. Para muitos, mansidão é sinônimo de fraqueza, medo. Contudo, repetidas vezes podemos perceber que a Bíblia considera a mansidão como uma virtude muito importante na vida do verdadeiro cristão (Gl 5:23; 1Tm 6:11). Mansidão em relação a Deus é aceitar Sua vontade em nossa vida sem duvidar. Muitas vezes temos que seguir a Deus pela razão. Quando tudo ao nosso redor parece desmoronar, devemos confiar que Deus está ao nosso lado e que sempre fará o melhor para todos nós. O "manso" tem maiores condições de dominar o próprio ser. A promessa a todos os que assim confiam em Deus e se colocam em tal posição de humildade é de que eles "herdarão a terra". Por onde passamos percebemos uma luta terrível pelos reinos deste mundo. Todo artifício maligno é empregado para alcançar riqueza, status e poder. O que muitos não aceitam é que tudo isto que hoje vemos é passageiro. Não importa quão rica uma pessoa ou família possa ser, um dia tudo acabará. Entretanto, a terra que Deus tem preparado para os mansos nunca perecerá. O que Deus tem preparado para os que confiam plenamente nEle é eterno. "Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado" (Mt 23:12). Em breve, aqueles que confiam plenamente em Jesus serão exaltados. Deposite tudo o que você tem e tudo o que você é aos pés de Jesus e confie, em breve você estará no Céu!

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Os que choram

Seguindo a lista das "bem-aventuranças", Jesus se dirige aos que choram. Ele diz: "Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados" (Mt 5:4). O choro aqui relatado é causado por uma dor intensa. Dor semelhante a uma perda eterna, como a descrita por Jesus em Lucas 6:25. Não é apenas uma tristeza passageira, mas uma dor profunda. Esta dor provém da tristeza de coração pelo pecado. É a tristeza do pobre de espírito tentando agradar ao seu Salvador. "Percebemos que ao passo que somos amados com indizível ternura, nossa vida tem sido uma contínua cena de ingratidão e rebelião" (MDC, 9). Nossa culpa é revelada pelo próprio Deus, a fim de que possamos ser dirigidos a Cristo. Jesus disse que quando Ele fosse erguido na cruz atrairia todos a Ele (Jo 12:32). Primeiro, Deus desperta em nós a necessidade do perdão, para então, produzir o arrependimento. O "pobre de espírito", aquele que entende que não consegue vencer por suas próprias forças, tenta desesperadamente chegar-se a Deus, mas ao perceber que não alcança a vitória, chora. Porém, Jesus disse que felizes são os que choram, porque eles serão consolados. Temos aqui uma referência ao Espírito Santo, aquele que é descrito como  nosso Consolador (para,klhtonem João 14:16, e uma referência ao próprio Jesus que também é descrito como nosso Consolador (para,klhton) em 1Jo 2:1. Não existe abraço melhor do que o abraço de Jesus, não existe consolo melhor do que o consolo de Jesus, não existem palavras melhores do que as palavras de Jesus. E Jesus disse que todas as vezes que choramos por não conseguirmos atender o padrão divino, Ele próprio nos abraça, nos consola e nos motiva a continuarmos nossa caminhada. O Espírito Santo está aqui hoje entre nós como representante de Cristo para nos trazer a paz celestial. Paz que somente Deus pode conceder aos Seus filhos. Uma paz que traz a certeza e a segurança da nossa salvação. Uma linda música diz: "É feliz quem já chorou ao perceber que é pecador" (Coral Unasp), e Jesus diz que tais pessoas são felizes porque eles serão consolados. Mesmo em meio às suas derrotas, não duvide, Jesus está sempre ao seu lado. Deus nunca deixa um filho desamparado. Ao sentir vontade de chorar, chore. Mas, não esqueça que Jesus estará sempre ao seu lado para te consolar. Muito em breve estaremos em um lugar onde não haverá mais o choro. Muito em breve estaremos no Céu!

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Pobres de espírito

Após passar a noite em oração, Cristo faz o chamado aos doze e começa a proferir seu sermão relatado no livro de Mateus, do capítulo cinco ao sete. Este sermão é conhecido como o "Sermão do Monte". Ao iniciar o seu discurso, Cristo se dirige ao desejo extremo do coração humano: a felicidade. Esse desejo foi implantado no homem pelo Criador e originalmente tinha o propósito de levá-lo a encontrar a verdadeira felicidade mediante a cooperação com Deus que o criou. Uma grande falha acontece quando o homem tenta encontrar a felicidade como um fim em si mesma, passando por alto a obediência aos requerimentos divinos. Assim, ao começo de seu discurso inaugural como Rei do reino da graça divina, Cristo proclama que o principal propósito do reino é o de restaurar no coração dos homens a felicidade perdida no Éden e que os que escolhem entrar pela "porta estreita" e o caminho "estreito" (Mt 7:13-14) encontrarão a verdadeira felicidade. Acharão paz e gozo interiores, satisfação verdadeira e durável para o coração e a alma, que só se conseguem quando a "paz de Deus, que ultrapassa todo entendimento" está presente para guardar o coração e o pensamento (Fl 4:7). Quando Cristo voltou ao Pai, deixou com seus seguidores essa paz que o mundo não pode dar (Jo 14: 27). No início deste sermão temos as tão conhecidas "bem-aventuranças". A primeira "bem-aventurança" é dirigida aos pobres de espírito. A expressão pobre (ptōkhoì) faz referência a pobreza extrema, a miséria. Tal pobreza impossibilita o desafortunado de mudar seu destino por suas próprias forças. Ele depende de algo fora dele. Esta expressão é usada nos textos de Mc 12:42 (A viúva pobre: tudo o que ela possuía eram dois quadrantes que equivalia a 1/64 do denário que era o salário de um dia. Se fizermos o cálculo baseado no salário mínimo brasileiro, temos que a viúva pobre depositou cerca de R$ 0,27 no gazofilácio) e Lc 16:20 (parábola do rico e do Lázaro: a pobreza de Lázaro fazia com que ele se alimentasse das migalhas que caíam da mesa de seu senhor!). Os pobres espirituais citados por Jesus são justamente aqueles que sentem a sua fraqueza, sua impossibilidade de herdar o reino dos céus por suas próprias forças. Você já se sentiu desanimado, com medo de não ser bom o suficiente para ir ao Céu? Saiba que muitas vezes encontramos Jesus agindo pelos "pobres de espírito". Em Mt 11:5 e Lc 4:18 é nos dito que os cegos passavam a ver, os aleijados voltavam a andar, mas aos pobres era pregado o evangelho. Através da parábola do publicano e do fariseu Jesus exemplificou a condição daqueles que são aceitos por Deus. Por estar consciente de sua própria pobreza espiritual, o publicano da parábola "desceu a sua casa justificado" ao contrário do fariseu que estava cheio de justiça própria (Lc 18:9-14). No reino dos céus não há lugar para os orgulhosos, os que estão satisfeitos consigo mesmos, os que dependem de sua justiça própria. Cristo convida aos pobres de espírito a que mudem sua pobreza pelas riquezas de sua graça. Em Ap 3:17 encontramos uma classe que se sente "rica", isto é, com forças suficientes para prosseguirem sem Deus. Estes, aos olhos de Deus, são os verdadeiros pobres, miseráveis. Jesus veio para salvar você, com os seus problemas, com as suas dificuldades. Ele diz que veio ao mundo para pregar o evangelho aos pobres de espírito. Você já se sentiu pobre de espírito? Não desanime, Jesus está sempre ao seu lado. Ele sempre te guiará ao Céu!

domingo, 16 de setembro de 2012

Livres da presença do pecado


Devemos sempre lembrar que Jesus foi vitorioso onde Adão fracassou. Ele venceu o pecado e hoje nós somos chamados a aceitar a salvação. Ninguém é chamado para duplicar a vitória de Cristo. Não vencemos como Ele venceu, mas vencemos porque Ele venceu. Durante alguns dias estudamos o plano da salvação oferecido a nós. Começando pelo motivo de nos encontrarmos perdidos, analisamos o amor e a abnegação de Deus em nosso favor. Tratamos sobre a libertação da culpa do pecado (justificação), a libertação do poder do pecado (santificação) e hoje trataremos sobre a libertação da presença do pecado (glorificação). Em 1Co 15:51-58 lemos: "Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão." Neste momento estaremos finalmente livres do pecado. Não existirá mais essa tendência natural para o pecado. Não seremos mais mortais. Seremos revestidos da imortalidade. Seremos libertos da presença do pecado. A Bíblia fala sobre algumas coisas que não mais existirão: (1) Não mais morte - Teremos a alegria de reencontrar queridos amigos que se foram. Familiares amados que já dormiram. Talvez você anele reencontrar um pai, uma mãe ou um irmão. Este dia em breve chegará. Nunca mais o pavor da separação causado pela morte estará entre nós; (2) Não mais dor - Dores físicas, mentais, sociais, espirituais já não existirão. Estaremos livres da dor do pecado. Deus limpará de nossas mentes toda lembrança dos males causados pelo pecado. Inclusive os males que nos trouxeram os mais diversos tipos de dor. Só teremos a lembrança das dores que Jesus passou por nós; (3) Não mais lágrimas - Toda tristeza será passado. Temos um futuro de alegria a nossa espera; (4) Não mais mal - Temos uma dificuldade muito grande de imaginar um mundo sem o mal. Porém, este mundo perfeito onde reina apenas a paz e o amor existe. Ele é real. Deus o fez para mim e para você! Nunca deixe que nada o tire do céu. Sabe qual a sua parte na salvação? Aceitar. Tudo o que Deus mais espera é que você aceite. Todo o mais Ele fez. E agora espera você aceitar. Jesus está bem perto. Você aceita a salvação?


sábado, 15 de setembro de 2012

O filho avaro


No capítulo 15 do evangelho de Lucas encontramos três ricas lições de como Deus trata com os pecadores. A última delas é conhecida como a história do filho pródigo. Nesta história, Jesus está justificando Sua atitude com os pecadores e publicanos. A partir do verso 25 o filho pródigo deixa de ser o protagonista e entra em cena seu irmão mais velho. Neste momento Jesus deixa de justificar o seu trato aos pecadores e publicanos e se concentra nos fariseus. Através do exemplo do irmão do filho pródigo, Jesus mostra o erro da atitude dos fariseus em relação aos pecadores. Este irmão mais velho é justamente o contrário do filho pródigo e aqui é denominado como o filho avaro. Ontem estudamos sobre a santificação. É uma grande alegria saber que Deus não apenas nos livra da culpa do pecado, mas também quer nos livrar do poder do pecado. É preciso viver a santificação para entender completamente o que isto quer dizer. Porém, temos um adversário que está sempre disposto a nos desanimar. Sua primeira tentativa é a de nos colocar como indignos perante Deus. Eu tenho certeza que muitas vezes você já deve ter ouvido uma voz lhe dizendo que você é um pecador indigno. Que para você não existe mais solução. Que Deus já te deu muitas chances e você já desperdiçou todas. Porém, quando analisamos a imensidão do sacrifício de Jesus por nós, Seu amor e como Ele nos concede gratuitamente a justificação, percebemos que esta voz não diz o que é correto. Esta é a voz do inimigo e não a voz do Espírito Santo. Espero que depois do que vimos nesta semana você não acredite mais nesta voz. Espero que você viva confiante na certeza da salvação em Cristo Jesus. Mas, existe o outro lado. Quando aceitamos a salvação e passamos a andar em novidade de vida, o mesmo inimigo se apresenta com argumentos diferentes. Ao prosseguirmos na caminhada cristã, a voz do inimigo continua em nossos ouvidos dizendo coisas como: "Nossa, como você é um cristão exemplar!", "Ninguém em sua igreja é como você, você é o melhor!", "Veja como todos ao seu redor são pecadores, mostre para eles o que é ser cristão!". São dois extremos. Na segunda situação, o desejo de Satanás é de levar-nos a ostentar o nosso próprio eu, nos encher de orgulho e nos cegarmos ao fato de que a santificação é uma obra onde eu coopero com aquilo que o Espírito Santo deseja fazer em mim e não somente das minhas próprias forças. A atitude do "filho avaro" expressa, em certa medida, o sentimento de algumas pessoas em relação a salvação que é oferecida livremente a todos por Deus. Muitos pensam não ser justo que uma pessoa que vive na prática do pecado, se arrependa, aceite a Cristo e tenha a mesma recompensa que aqueles que buscam permanecer firmes ao lado de Deus constantemente. Sendo assim, vale a pena analisarmos a situação do filho avaro. Vamos analisar alguns detalhes desta história que se encontra em Lc 15:25-32. Acompanhe com sua Bíblia: (v. 25) "no campo" - aqui encontramos o filho avaro trabalhando diligentemente. Pelo todo, conseguimos perceber que ele não trabalhava por amor, mas para ser digno da sua herança. No primeiro capítulo de Isaías temos uma situação que nos chama atenção. O povo de Israel é extremamente zeloso pela religião. Devolve o dízimo fielmente e todas as ofertas são abundantes. Há abundância de recursos e tudo parece exemplar. Mas Deus diz: "De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? – diz o SENHOR. Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais cevados e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes" (Is 1:11). Deus não está anulando as leis cerimoniais aqui, mas está dizendo, como podemos perceber pelas palavras que se seguem, que não aceita uma religião onde o princípio supremo não seja o amor; (v. 28) "indignou-se" - essa era a atitude dos escribas e fariseus com Jesus; "não  queria entrar" - apesar dos apelos do pai, este filho desejava a condenação de seu irmão; (v. 29) "sirvo-te" - o problema era que o filho avaro atuava como servo e não como filho; "sem nunca transgredir" - aqui ele fala de todos os aspectos legais; "nunca me deste" - como o irmão mais novo gastara a sua parte na herança, tudo o que sobrara pertencia a ele. Indignou-se pelo pai ter dado parte de sua propriedade ao pródigo; "alegrar-me com meus amigos" - este filho servia por obrigação e suas palavras demonstram que na verdade ele desejava ter a mesma atitude de seu irmão. Ele sentia inveja pelo seu irmão ter desperdiçado a herança e ainda assim continuar na posição de filho; (v. 30) "este teu filho" - nega que ele era irmão. Demonstra sarcasmo e desprezo; (v. 31) "filho" - do grego téknon. Esta é uma expressão que denota afeto – criança, "meu pequeno e querido filho"; "tu sempre estás comigo" - o pródigo não estava sempre com o pai. Este é o motivo da festa. Contudo, o amor do pai não era menor pelo filho mais velho pelo simples fato de ele não ter tido a oportunidade de demonstrá-lo; "todas as minhas coisas são tuas" - a herança do filho avaro não seria afetada pela volta de seu irmão; (v. 32) "era necessário" - não porque o pródigo tivesse méritos, mas esta era a expressão da alegria do pai. A mesma alegria que deveriam sentir os escribas e fariseus. Pode ser que em algum momento alguém se sinta como o filho avaro e pense: "Sou obediente. Cumpro os mandamentos. Não é justo que a salvação seja oferecida desta maneira e a qualquer pessoa". No cristianismo não existe espaço para ser melhor ou pior. O julgamento pertence a Deus. A nós cabe a humildade e a alegria de sermos aceitos como filhos e levarmos esta mensagem a muitos que estão em trevas. Jesus não termina esta parábola. O fim deveria ser determinado pelos ouvintes. Aceitariam o apelo de Jesus? Ande ao lado de Deus e a cada dia se alegre com aqueles que decidem andar junto com você. Que você esteja trilhando o caminho rumo ao Céu!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Sede perfeitos


Existe um grupo de pessoas que defende a ideia que, para uma pessoa ir ao Céu, deve alcançar a perfeição antes da volta de Jesus. E, perfeição para estas pessoas, é sinônimo de ausência de pecados - eles são chamados de perfeccionistas. Uma das passagens mais usadas pelos defensores do perfeccionismo para enfatizar a necessidade de completa impecabilidade do ser humano é Mateus 5:48 que diz: "Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste". Existem muitos problemas de interpretação por parte deste grupo. Em primeiro lugar, o conceito de perfeição. Sem demorar neste aspecto, vale ressaltar que o conceito de perfeição como ausência de "defeitos" é uma definição grega e não bíblica. Existe um grande risco ao levar conceitos e filosofias gregas (das quais somos formados e influenciados) à Bíblia. Em segundo lugar, uma falha básica de interpretação de texto. A frase começa com "Portanto, sede vós perfeitos...” (Ésesthe oún hymeîs téleioi). Isto indica que esta frase é uma conclusão do que foi dito antes. E o que foi dito antes por Jesus? Jesus estava se referindo ao amor aos inimigos. Em resumo, Jesus está dizendo que se amarmos os nossos inimigos como amamos nós mesmos, seremos perfeitos, como perfeito é nosso Pai que está nos Céus. Aqui a perfeição é descrita como um amor incondicional. Davi é descrito como perfeito, completo (2Sm 22:24), não por isenção de pecados, mas por sua correta atitude diante de Deus em reconhecer o pecado. Jó também é descrito como perfeito, completo (Jó 12:4) por seu relacionamento com Deus. Por incrível que pareça, Lúcifer também é descrito como perfeito, completo (Ez 28:15) e isso não quer dizer que ele não tinha pecado ou que não tinha a possibilidade de pecar (como afirmam os perfeccionistas). De maneira especial, a Bíblia apresenta como perfeitos aqueles que atingem maturidade cristã e não aqueles que estiverem livres de pecado, o que a própria Bíblia considera como impossível. Eis alguns textos sobre a perfeição como maturidade cristã: "Irmãos, não sejais meninos no juízo; na malícia, sim, sede crianças; quanto ao juízo, sede homens amadurecidos" (1Co 14:20), "Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido. Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal" (Hb 5:12-14), "Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes" (Tg 1:4). Em resumo, é possível ser perfeito? Podemos ter três respostas: (1) Sim – se estamos falando do conceito bíblico de perfeição. Perfeitos em nosso relacionamento com Deus e com o próximo; (2) Sim (Ironicamente!) - se rebaixarmos o conceito bíblico de pecado e o considerarmos apenas os atos, desconsiderando que a Bíblia nos trata como pecadores por natureza; (3) Não – Se estamos falando de completa impecabilidade e interpretando este assunto corretamente. Os perfeccionistas, por não conseguirem provar seus conceitos acerca do pecado e da impecabilidade através da Bíblia, fazem um largo uso indevido dos escritos de EGW. Um dos textos mais usados é: "Com anelante desejo, Cristo aguarda ver-Se manifestado em Sua igreja. Quando o caráter do Salvador for perfeitamente reproduzido em Seu povo, então Ele virá a requerer os Seus". Imediatamente concluem que o caráter do Salvador perfeitamente reproduzido em Seu povo tem a ver com impecabilidade. Isto só pode ser dito se desconsiderarmos o que a própria escritora relatou. O contexto enfatiza o serviço ao próximo, interesse na salvação do próximo, olvidar-se do eu... Em nenhum momento é mencionada a questão impecabilidade. Muito pelo contrário, é descrito que "Cristo é nosso Modelo, o perfeito e santo Exemplo que nos foi dado para que seguíssemos. Jamais poderemos igualar o Modelo; podemos, porém imitá-Lo e assemelhar-nos a Ele de acordo com nossa capacidade." (Review and Herald, 5 de fevereiro de 1895). Note a ênfase de que jamais poderemos igualar o Modelo. Jamais! Ele é o Incomparável Cristo! Devemos imitá-Lo. Isso é santificação. Deus nunca requereu completa impecabilidade de Seus filhos. Quando isto for necessário, Ele mesmo se encarregará de fazer esta obra em nós. Este é o tema do nosso estudo de domingo. Não devemos ter o nosso foco no pecado, mas em Cristo. Deus quer dar um poder, a mim e a você, para vivermos uma vida cristã feliz. Uma vida cristã de vitórias. Entregue-se cada dia a Cristo e desfrute da alegria de estar ao lado dEle. Ele quer te libertar do poder do pecado. Ele quer te conduzir ao Céu!

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Livres do poder do pecado


Até aqui espero ter deixado claro que a justificação é um ato exclusivamente divino. Não existe qualquer parte humana a ser desempenhada neste processo a não ser a aceitação. Não podemos vencer o pecado, mas Cristo venceu e através dos Seus méritos somos declarados justos (não nos tornamos justos). Continuamos sendo pecadores, porém, pecadores legalmente perdoados. Sendo assim, não precisamos levar o peso da culpa de nossos pecados. Mas, será que o único objetivo de Deus é me livrar da culpa do pecado? Não! Deus também quer me livrar do poder do pecado. Ele não quer apenas me erguer da lama em que eu me encontro, mas Ele quer que eu tenha uma vida melhor, livre o quanto possível das terríveis consequências do pecado. Longe o quanto for possível do pecado. Este processo é chamado de santificação. Justificação e santificação não podem ser confundidas e não podem ser separadas. Deus não justifica aqueles a quem Ele não pode santificar. Justificação é uma obra que Jesus faz por mim e santificação é uma obra feita em mim. O evangelho não é apenas um chamado a fé, mas um chamado ao arrependimento. A Nicodemos e a nós ainda hoje é dito: "Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo". Precisamos passar diariamente pela experiência do novo nascimento em Cristo Jesus. A Bíblia trata sobre a santidade em dois sentidos: (a) Como um relacionamento - O termo básico de santificação fala de relacionamento. Ser colocado a parte para um propósito definido. "Sede santos porque eu sou Santo" (Lv 11:44). Esta frase é introduzida no contexto da apostasia pagã. Deus é santo porque é separado dos deuses pagãos. Israel é chamado de nação santa. Neste sentido a santificação é um ato passado. Ex.: "Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus" (1Co 6:11). "Fostes santificados" – "fostes separados para um propósito definido"; (b) Com sentido moral - Neste aspecto a santidade é definida como uma obra para a vida toda. O conceito bíblico de pecado nos deixa claro que é impossível para o ser humano atingir completa impecabilidade. Contudo, o fato de não ser possível alcançar completa impecabilidade não significa que não vamos lutar por isso! O cristianismo não é apenas um chamado a vida eterna, mas também um chamado ao arrependimento. Um extremo é fazer de uma completa impecabilidade um requisito para alcançar a salvação. Errado! Outro extremo é pensar que, por Deus ser amor, podemos continuar na lama do pecado que mesmo assim estamos salvos. Errado! Deus tem um grande desejo de nos ver caminhando em santificação. Isto é para o nosso próprio bem. Andar distante do pecado é o melhor para todo cristão. Este processo não acontece alheio a vontade humana. Devemos ler atentamente Romanos 6:1-14. Ali, oito vezes vemos uma contraposição entre vida e morte. Neste texto encontramos três elementos básicos: (1) Caminhar uma nova vida – agora nossos princípios não são mais ditados pela nossa própria consciência, mas pela ética cristã. Agora não existe mais o que eu acho, mas o que Cristo quer de mim; (2) Não deixando o pecado reinar no corpo mortal – a soberania do pecado foi quebrada, mas o corpo tem desejos permanentes. O velho homem ainda está dentro de mim! EGW trata sobre as avenidas da alma, o caminho por onde Satanás tenta recuperar os seus súditos; (3) Submissão de seus membros a Deus – Deus ocupa maiores áreas de controle em nossa vida. Amanhã falaremos sobre o conceito de santidade e perfeição. Deus espera que eu seja perfeito? Que perfeição Deus requer de mim? Porém, até lá, lembre-se que você pode ter a certeza de sua salvação porque Cristo morreu por você, mas tenha também a certeza que Deus quer lhe dar forças para te libertar do pecado que tanta tristeza traz para a sua vida. Dê sua mão diariamente a Cristo e caminhe ao lado dEle. Você nunca poderá estar em melhor companhia. Ao caminhar ao lado de Jesus, não tenha dúvidas que Ele estará te guiando ao Céu!

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A fé na fé!


O termo justificação pela fé pode trazer certa confusão. Seria a fé meritória diante de Deus? Teria a fé um papel fundamental na salvação e apenas aqueles com um "tamanho mínimo de fé" seriam capazes de aceitar a Cristo e Sua salvação? Antes de entendermos o que é fé, é importante entendermos o que a fé não é: (1) A fé não é o meio, mas a base para a salvação - O termo justificação pela fé pode trazer a ideia de que a fé é o meio para se atingir a justificação. Porém, como vimos até agora, a justificação é uma obra exclusivamente divina. Mais uma vez, repetimos que "a justificação é a obra de Deus ao jogar no pó a glória humana". Paulo nos diz claramente que "pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus" (Ef 2:8). Somos salvos pela graça (elemento primário) mediante a fé (instrumento). Isto elimina o sentimento de superioridade em algumas pessoas que julgam serem mais espirituais do que outras por possuírem uma grande fé; (2) Não é o elemento primário da salvação - O elemento primário da salvação é a graça. Mais uma vez citamos Efésios 2:8 que diz: "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus"; (3) Não é meritória em si mesma - Em Lc 7:1-10 temos o relato do centurião que foi até Jesus buscando a cura de seu servo. Neste relato Jesus elogia a fé daquele romano. Contudo, fica a pergunta: "Aquele homem tinha grande fé, mas se ele tivesse recorrido aos fariseus, através de sua fé, os fariseus teriam curado seu servo?" A resposta é clara: Não! Os fariseus não teriam curado o servo porque a fé vale pelo seu objeto. Aquele soldado romano colocou sua fé no "objeto" correto – Cristo; (4) É a parte humana na justificação, mas não é auto-gerada, é um dom - A fé é um dom de Deus. Não temos capacidade de gerar fé pela nossa própria vontade. Este dom é concedido aos homens e cabe a estes cultivá-lo; (5) Não vale pelo seu tamanho - Encontramos o seguinte relato de Jesus em Mt 17:20: "Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível". E muitos julgam não ter fé nem do tamanho de um grão de mostarda por não conseguirem tal feito! A ênfase de Jesus é que mesmo uma pequenina fé, posta no objeto correto, pode ter o poder para efetuar grandes coisas. A ênfase não está no tamanho da fé! A fé vale pelo seu objeto e não pelo seu tamanho. Muitas pessoas depõem sua fé no objeto errado, mas o simples fato de terem fé não lhes trará benefício. Para a salvação, em especial, muitos depõem sua fé em sacramentos, doutrinas, obras, sentimentos, caráter (perfeccionismo) ou até mesmo na própria fé (existe a fé na fé!). Uma pequenina fé, agarrada a Cristo – é tudo o que precisa um pobre ser humano destituído de Deus. Entendido o que a fé não é, passamos ao que a fé é: (1) Transferência de confiança - Em seu significado mais básico, fé é transferência de confiança. Nos antigos escritos gregos a palavra pístis (fé) é usada para descrever um náufrago que encontra um pedaço de madeira no meio do oceano e se agarra a isto até que o socorro chegue. Fé é confiar, agarrar-se em seu objeto. Para nós, agarrar-se a Cristo, até que o nosso Salvador venha nos buscar; (2) É mais algo que fazemos do que temos - A crença se torna fé no ponto da ação. Ao falar sobre fé, a Bíblia relata que "Abel ofereceu, Noé obedeceu, Moisés decidiu" e assim por diante; (3) Possui três dimensões - Conhecimento: Apesar de não ser sinônima de conhecimento, ela não é vazia de conhecimento. A sinceridade não tem poder para salvar. Você pode ser sincero, mas estar sinceramente errado! Você pode ter fé em Baal, mas isto não faz dele um deus! Certeza: Convicção naquilo em que você foi informado. Compromisso: O diabo conhece e tem certeza, mas nunca chegou ao estágio do compromisso. Quando não temos um compromisso com Deus, estamos no mesmo nível do diabo! Existe um grande problema ao enfatizarmos as duas primeiras dimensões da fé e esquecermos da terceira. Todos os pontos abordados até aqui enfatizam a realidade de que a salvação é para todos. Não apenas para a igreja. Não apenas para os "espirituais". Não apenas para os de "grande fé". Sendo assim, por que pregar então? Se eu quiser ir de São Paulo ao Rio de Janeiro a pé em dias chuvosos eu posso até chegar, mas não seria melhor e mais seguro se eu estivesse dentro de um confortável automóvel? Conhecendo o evangelho, as chances que alguém tem de aceitar a Cristo não são maiores? Hoje precisamos reconhecer que nada temos a oferecer para Deus, mas se estivermos dispostos, Ele pode transformar o nada em alguma coisa e nos transformará em condutos da salvação a muitas pessoas que estão desanimadas, desesperançadas e pensam que não possuem fé suficiente para andarem nos caminhos do Senhor.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Certeza da salvação


Depois de uma breve explanação histórica sobre o desenvolvimento do conceito da salvação, devemos nos perguntar: "O que a Bíblia diz sobre nossa salvação? O que a Bíblia diz sobre justificação pela fé?" Para entendermos sobre o que a Bíblia diz sobre salvação é importante estudar a carta de Paulo aos romanos. É ali que Paulo trata amplamente o conceito de salvação. Iremos estudar brevemente as três primeiras seções deste livro. Na primeira seção (1:16-17) Paulo trata sobre o evangelho; na segunda seção (1:18-3:20) o apóstolo trata sobre a condenação que repousa sobre a humanidade; na terceira seção (3:21-5:21) é introduzido a providência divina para a salvação dos seres humanos.
"Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé". Para Paulo o evangelho é a história de Cristo. Cristo é o "poder" de Deus para a salvação de todos. Antes de compreendermos as boas novas, precisamos compreender as más novas. "A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça" (1:18). Todos estão sob a ira de Deus. Todos estão perdidos.
A ira de Deus é effectus (retribuição inevitável quando a justiça é desconsiderada) e não affectus (sentimento)Os gentios (no pensamento judeu, todos os que não pertencem ao seu povo) estão perdidos porque foram desobedientes a revelação natural de Deus. "Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis" (1:20). Por outro lado, os judeus estão perdidos porque confiaram na sua justiça para a salvação. "Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas... Se, porém, tu, que tens por sobrenome judeu, e repousas na lei, e te glorias em Deus; que conheces a sua vontade e aprovas as coisas excelentes, sendo instruído na lei; que estás persuadido de que és guia dos cegos, luz dos que se encontram em trevas, instrutor de ignorantes, mestre de crianças, tendo na lei a forma da sabedoria e da verdade; tu, pois, que ensinas a outrem, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? Dizes que não se deve cometer adultério e o cometes? Abominas os ídolos e lhes roubas os templos? Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? Pois, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por vossa causa." (2:1, 17-24). Depois de deixar claro que toda a humanidade está perdida, Paulo introduz a solução divina para esse enorme problema: "Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas" (3:21). Aqui é descrita a justiça como um dom, a justiça comunicada. Para Paulo, não existe uma contradição entre lei e fé. "Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei" (3:31). Cada uma tem a sua função. Para os judeus, Abraão é o exemplo daqueles que são justificados pela lei, e para deixar claro que a salvação não provém de méritos humanos, Paulo cita um trecho especial da vida de Abraão onde Deus o declara justo sem suas boas obras. "Pois que diz a Escritura? Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça. Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça" (4:3-5). Em seguida, o apóstolo passa para o exemplo de Davi que era o contrário de Abraão. "E é assim também que Davi declara ser bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça, independentemente de obras: Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos; bem-aventurado o homem a quem o Senhor jamais imputará pecado" (4:6-8). Abraão é justificado porque Deus lhe imputa justiça; Davi, porque Deus não lhe imputa pecado. A lição é a mesma: a justiça da fé perante Deus. Depois, para anular qualquer ideia de obras que tenham valor para a salvação, Paulo segue para o exemplo da circuncisão que, no pensamento judaico, era indispensável para a salvação. "Vem, pois, esta bem-aventurança exclusivamente sobre os circuncisos ou também sobre os incircuncisos? Visto que dizemos: a fé foi imputada a Abraão para justiça. Como, pois, lhe foi atribuída? Estando ele já circuncidado ou ainda incircunciso? Não no regime da circuncisão, e sim quando incircunciso" (4:9 e 10). Abrão é declarado justo em Gn 15 e é circuncidado em Gn 17. Entre estes capítulos temos quase 15 anos de diferença. "Pois nem a circuncisão é coisa alguma, nem a incircuncisão, mas o ser nova criatura" (Gl 6:15). Assim, Paulo destrói os dois pilares da salvação para os judeus para salientar uma verdade que muitos não compreendem até hoje: A salvação repousa unicamente nos méritos de Cristo! É comum ouvirmos a pergunta: "Se Jesus voltasse hoje, você estaria preparado?" Poucos são aqueles que respondem afirmativamente. Nossa reação natural é olharmos para a nossa vida e medirmos nossas obras. Mas o que Deus mais deseja é que tenhamos a plena certeza da nossa salvação, porque ela não depende do que eu faço ou deixo de fazer, mas depende do que Cristo fez por mim. Desfrute a alegria da salvação que há em Jesus, viva esta salvação. Que a alegria da salvação em sua vida contagie muitas pessoas a conhecerem este mesmo Deus maravilhoso e poderoso que você conhece. Ele fez tudo para, muito em breve, ver você no Céu. 

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Luz em meio à escuridão


Chegamos então ao século XVI. Para Lutero a justiça de Deus era essencialmente retribuitiva. E como o homem não tem nada de bom a oferecer, a justiça retribuitiva se torna a justiça punitiva. Essa ideia prevaleceu até que o grande reformador, preparando suas aulas sobre Salmos, se deparou com um apelo de Davi: “...livra-me por tua justiça” (Sl 31:1). Este texto perturbou seus pensamentos. “Como pode Deus salvar alguém na sua justiça se a justiça é exatamente o que Deus usa para punir as pessoas?”. Prosseguindo seus estudos encontrou as seguintes palavras de Paulo: “visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé.” (Rm 1:17). Assim, finalmente Lutero chegou a correta conclusão que a justiça é redentiva. Não era apenas uma qualidade de Deus, mas um dom. Ele entendeu que justiça é aquilo que Deus oferece e não aquilo que Ele requer. Não podemos perder de vista este conceito. Esse ainda é um grande obstáculo na mente de muitas pessoas. Muitos ainda pensam que podem ser justos diante de Deus, mas nunca devemos nos esquecer que justiça é o que Deus oferece e não o que Ele requer. O termo grego dikaion, traduzido para o latim como justificare, significa considerar justo, contar como justo, imputar justiça, absolver.  Porém, o termo foi mal traduzido no latim, e isto especialmente quando o grego se tornou uma língua morta no ocidente. O significado grego se perdeu e justificare passou a significar "tornar justo". Durante todo o período medieval o significado de justiça foi entendido no sentido agostiniano, como um processo, fazer justo, tornar justo. Com a renascença aumentou o estudo da cultura clássica e, em 1506, Reuchlin publicou sua gramática hebraica. As línguas bíblicas começaram a ser redescobertas. Erasmo de Roterdam, em 1516, publicou a nova edição do Novo Testamento grego. Assim Lutero descobriu que, no grego, justificar significa "considerar justo" e não "tornar justo". Descobriu que justificação é um ato forense. "Um homem não é considerado como justo porque ele é justo, mas é justo porque é considerado como justo". Justificação para Lutero não é mais a comunicação da justiça de Deus, mas imputação da justiça de Deus. Tornar justo é uma questão forense. Se a justificação é um veredito de Deus em nosso favor, como isto acontece? Como somos declarados justos? Como Deus justifica os pecadores?  Estas questões ainda não estavam claras para Lutero quando lecionava a classe de Romanos. Não somos dignos de méritos humanos. Como Deus justifica os pecadores? Conforme seu comentário, Romanos 4:7 parece passar por alto o ato da fé em Cristo. Então, Lutero começa a associar exclusivamente a justificação com a fé em Cristo, e em escritos posteriores liga a justificação com a graça de Cristo e com a fé, e esta é a posição final de Lutero. A justificação vem pela graça de Deus. Deus manifesta sua graça por ter permitido que Cristo sofresse em nosso lugar. Ele coloca os nossos pecados não sobre nós, mas sobre Cristo. Em Isaías 53:5 é descrito que Cristo toma o lugar dos pecadores, e através da fé nEle podemos ter a Sua justiça. E prossegue: "Assumindo nosso lugar ele tomou sobre si nossa pessoa pecaminosa e agora podemos tomar sua pessoa vitoriosa". Lutero diz: "O verdadeiro caminho para o cristianismo é este, que primeiro o homem pela lei tem que reconhecer que é pecador e não pode se livrar por obras meritórias – esta é a única forma de partir o nosso eu e contemplar a humildade de Cristo". Somos justificados somente pela graça, através de Cristo. As obras são resultados da justificação. É importante salientar que a salvação pela graça não nos dá uma escusa para não praticar boas obras, mas nos dá uma motivação para praticá-las. Você não pratica obras para ser justificado, mas porque você foi justificado. A lei nunca foi dada para ser um instrumento da salvação. O amor nos diz porque fazer, a lei nos diz como fazer. Em 1994 acompanhamos o julgamento de O. J. Simpson. O ex-jogador de futebol americano foi acusado de matar sua ex-esposa, Nicole Brown, e seu amigo, Ronald Goldman. Relatos posteriores do julgamento nos dizem que nunca na história foram reunidas tantas evidências contra alguém como foram reunidas contra Simpson. No entanto, mesmo com todas as provas a favor da condenação, o juiz decretou que Simpson era inocente. Isto é uma boa ilustração do que acontece conosco nos tribunais celestes. Somos culpados. Todas as provas estão contra nós. Mas, Deus nos declara inocentes. É claro que os julgamentos humanos não podem se comparar com os julgamentos divinos. No caso de Simpson, foi um erro. Em nosso caso, Alguém pagou em nosso lugar. E, apesar de continuarmos pecadores, Deus vê um homem legalmente perdoado. Por muito tempo existiu uma confusão no pensamento cristão sobre a questão da justificação. Mas, Deus lança luz sobre o Seu povo e hoje podemos ter a certeza da nossa salvação. Não por méritos próprios, mas através dos méritos de Cristo. "Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé" (Fp 3:8 e 9). Somos livres da culpa do pecado porque Cristo pagou em nosso lugar. Este é o momento de entregarmos a nossa culpa a Cristo e mediante a fé nos alegrarmos na certeza da salvação. O Inocente sofreu em seu lugar e hoje Deus te declara justo!